Foto: Divulgação
São
Paulo - Quando se
pensa em ponto comercial é mais fácil lembrar de dificuldades do
que de soluções. A combinação da escassa disponibilidade com os altos valores
praticados nos últimos tempos tem obrigado, especialmente pequenos empreendedores
com menos capital inicial, a apostar em alternativas até então
impensadas.
Para
o professor de Marketing do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper) Silvio
Laban, não há esperança pela queda dos preços cobrados em grandes e conhecidos
pontos comerciais. “Não parece haver sinal de que os preços caiam no curto
prazo, mas isso vai depender de como a economia vai se comportar este ano e,
isso, ainda é imprevisível.”
O
presidente da Fran Systems, consultoria em desenvolvimento de negócios e de
franquias, Batista Gigliotti, relaciona alguns fatores que influenciaram
no aumento astronômico dos preços de imóveis, em especial os comerciais. “Com a
economia aquecida, o crescimento da população e o aumento do poder de compra de
classes sociais antes abastadas, a procura por comércio aumentou. Porém a
quantidade de shoppings não atende a demanda e a velocidade com que são construídos
novos não é na mesma velocidade do mercado.”
Além
da valorização dos shoppings, os conhecidos polos de compras em ruas também
sofreram vertiginosos aumentos na procura. “Com a diminuição dos índices de
criminalidade, as pessoas se sentem mais à vontade para fazer comprar nas
ruas”, afirma Gigliotti.
Segundo
Gigliotti, no entanto, apesar das adversidades, sempre há oportunidades em
qualquer lugar do mercado. “É preciso apenas ver se o que você pode pagar, em
função da lucratividade, é o que o mercado está pedindo no imóvel que você
deseja”. O bom ponto, portanto, é aquele em que as contas fecham, independente
de ser em um local alternativo.
Veja, abaixo, boas opções de para encontrar um ponto comercial
fora da estratégia habitual:
1) Áreas compartilhadas
Destacadas por Gigliotti como uma nova tendência, buscar pontos em
pequenos polos, que tenham até 10 lojas, pode ser uma boa alternativa para quem
deseja fugir das opções mais caras. “Tem centros de vizinhança crescendo muito.
São complementares, geradores de tráfego conjunto”, afirma o consultor. Um dos
grandes exemplos desse tipo de inciiativa compartilhada é o Conjunto Nacional,
na Avenida Paulista.
2) Pontos revitalizados
Ruas
de comércio antigo, que perderam a importância, mas têm recebido investimentos
governamentais para retomar o fôlego, também são boas opções. O consultor
Batista Gigliotti cita algumas regiões de São Paulo, antes abandonadas, mas que
hoje tem apresentado um crescimento. “É o caso de locais do Centro, com a revitalização
promovida pelo governo, bem como Diadema, antes considerada uma cidade com
nível social baixo, mas cuja realidade está mudando”.
3) Regiões inexploradas
O
consultor da Fran Systems destaca que todas as cidades com mais de 800 mil
habitantes passam por transformações constantes no que diz respeito à
valorização de pontos. A lógica vale na hora de investir em uma região até
então nunca explorada, mas que pode vir a ser um polo, como Itaquera, com o
estádio que deve receber jogos da Copa do Mundo.
“Terminais
de ônibus e metrô são uma ótima opção, já que você não precisa gerar o fluxo,
mas aproveita o que o local já disponibiliza”, diz. Um bom gerador de tráfego
de pessoas do qual o empreendedor pode se aproveitar são as farmácias 24 h ou
locais próximos a agências bancárias.
Segundo
o professor de marketing do Insper, a decisão entre fazer um local virar um
ponto comercial ou investir em algum sobre o qual já se tenha mais informações
e menos risco depende da disponibilidade financeira e do tipo de negócio que se
pretende abrir.
4) Internet
Usar
o ponto comercial só como uma vitrine e utilizar a internet para vender é uma
das opções que barateiam os custos com ponto comercial. “Para apostar nesse
modelo, o ponto não precisa ser grande e reduz gastos”, diz o professor do
Isper.
O consultor também acredita na ideia de que mais é menos. Segundo ele, é
necessário introduzir tecnologias para melhorar o uso dos espaços. “Coisas
estão cada vez mais compactas e todos terão que repensar seus negócios”.
5) Identifique negócios compatíveis com polos
Como
destaca Laban, uma rua cujo comércio de materiais de construção predomina
aceita alguns outros negócios. “O empreendedor poderia aproveitar o fluxo de
pessoas naquela região e ver outras oportunidades”. Além de apostar em ruas com
força em um tipo de mercado, o professor sugere aproveitar ou tentar atrair o
movimento também para as transversais e paralelas.
Não
são apenas as lojas prontas, em pontos já conhecidos ou dedicados a um negócio,
que podem servir de ponto para o seu comércio. “Não é um ponto. Está em uma
localização com certo fluxo e a pessoa foi lá e fez uma loja”, ressalta Silvio
Laban. Entre os espaços que podem ser aproveitados, o especialista cita
estacionamentos desativados ou em uso como o de supermercados e até terrenos
baldios. “Um empreendedor pode limpar um terreno, montar uma estrutura e montar
ali um ponto”. Outra possibilidade é a instalação dos pontos en conteiners,
como a loja da Starbucks (foto). Vale lembrar que a regularização do ponto na
prefeitura é essencial.
Nenhum comentário:
Postar um comentário