quarta-feira, 25 de julho de 2012

O “não” do investidor

Poucos empreendedores se dão conta de que um trabalho de investidor não é prever quais empresas darão certo e quais não darão.

Todos os dias, recebo propostas de empreendedores para investir em suas empresas. Na grande maioria dos casos, o resultado é uma resposta negativa – o famigerado “não”.
Existem muitas histórias reais por aí de empresas de sucesso que receberam um “não” deste e daquele investidor antes de algum outro investidor visionário ter resolvido investir na empresa.
Mas se fosse tão simples assim, bastaria falar somente com esses investidores que acertaram a mão, certo?
Todo mundo sabe que os venture capitalists recebem muitas propostas de investimento e que poucos empreendedores são eleitos. A grande maioria acaba – com ou sem maiores explicações – recebendo um “não” como resposta.
Porém, poucos empreendedores se dão conta de que o trabalho de um investidor não deve – ou pelo menos não deveria – se propor a dizer qual ou quais empresas possuem o potencial para o sucesso.
Ninguém possui uma bola de cristal.
Porém, o fato de não se poder prever com certeza também não significa que o processo de uma empresa se tornar um grande sucesso seja aleatório ou totalmente imprevisível.
Cada investidor ou grupo de investidores possui várias habilidades específicas frutos de estudos e de experiências passadas. Esse mix de virtudes é o que define o dinheiro como “smart money”. Essa é a razão pela qual cada investidor ou gestor possui uma complementariedade maior ou menor em relação às potenciais investidas. Investidores com experiência em saúde tendem a ser melhores nessa área do que em outras, e assim por diante.
Por outro lado, é muito mais fácil identificar características que podem levar ao insucesso. Modelos de negócio, tamanho de mercado, escalabilidade são apenas alguns fatores que demonstram se uma empresa terá grandes dificuldades em crescer muito e rápido.
Essa é a primeira razão de o porquê devemos ser melhores em dizer “não” do que dizer sim.
Outro fator importante é entender que como regra geral os gestores não conseguem captar recursos para seus fundos sem apresentarem aos seus investidores um plano de ação muito bem definido, parecido com um business plan. É o que chamamos de tese de investimento.
Em outras palavras, a tese de investimento é o que define o que um gestor pode ou não fazer com o dinheiro que ele captou. Trata-se de uma forma de diferenciação dos gestores e também de assegurar aos investidores dos fundos que o dinheiro está sendo aplicado de maneira mais eficiente possível.
Essas regras trazem diversas consequências para o gestor e para as empresas de seu portfólio. Porém, a que talvez seja mais impactante para os empreendedores é o fato de que muitos bons projetos com grande potencial acabam recebendo um “não” desse e daquele gestor também, simplesmente porque eles não possuem a liberdade para tomar essa decisão.
Para facilitar a vida dos empreendedores que se encontram em processo de captação, sugiro a leitura do livro Venture Capitalists at Work: How VCs Identify and Build Billion-Dollar Successes, de Tarang Shah. Ele é um investidor que entrevistou uma série de outros investidores que participaram de grandes empresas. Esse livro ajuda – e muito – a se entender como funciona o processo de análise e seleção de empresas. É pra ler e reler de tempos em tempos.

Fonte: Endeavor MAG, 25/07/2012.

http://endeavor.org.br/endeavor_mag/financas/acesso-a-capital/o-nao-do-investidor

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