Co-fundador do Buscapé
começou jovem, quando estudava engenharia elétrica na Escola
Politécnica. Mas sua trajetória já guarda a terceira maior aquisição do
ramo no país.
Confira uma conversa com Romero e o time da Endeavor Brasil, na qual
ele conta o que o motivou a empreender, as pedras que enfrentou no
caminho, como foi ter uma sociedade com amigos e até detalhes sobre o
processo de aquisição do concorrente Bondfaro, em 2006.
Como surgiu sua vontade de empreender?
“Sempre quis ter minha empresa, desde criança. Meu pai tinha uma loja
de materiais de construção e todo sábado eu estava lá. E adorava tudo,
nas férias trabalhava com ele, sempre fui ligado a isso. Na loja,
aprendi escutar o meu consumidor. Via meu pai vendendo e depois via
outra pessoa fazendo o mesmo e comparava: quando o cara não tem o mesmo
carinho pelo cliente, vende de outra forma, em outro ritmo. Vende
menos.”
Você já teve negócios que não deram certo?
“Na 8ª serie, eu me apaixonei por programação. Busquei minha formação
visando montar uma empresa, fiz engenharia elétrica com ênfase em
computação para isso. Mas foram várias tentativas fracassadas de criar
alguma coisa. Desde um canil até uma empresa que fazia panfletos, que
inclusive achei na época que estava indo super bem. Certo dia, o
cabeçote da impressora queimou e ele valia mais do que todo o
faturamento da história da companhia.”
O que te moveu nos primeiros anos no Buscapé?
“A gente só teve receita no meio do terceiro ano. Mas o legal de empreender é que, se você for bem sucedido, talvez
você ganhe dinheiro. É uma consequência do ato de empreender - e não o
contrário. As pessoas vivem me perguntando ‘A Naspers comprou 91% do
Buscapé. Por que você ainda está lá?’, eu respondo ‘Por que eu vou
sair?’. Não conheço grandes empresas ou grandes projetos nos quais o
principal objetivo foi ganhar dinheiro.”
Como foi formar uma sociedade com os amigos?
“Eu tive muita sorte. Nós nos aturamos e eles, principalmente, me
aturaram. Por incrível que pareça, os quatro tinham perfis razoavelmente
complementares. Mas a principal coisa que fez dar certo foi o
alinhamento com um sonho em comum. Era um sonho bobo até, de um dia
criar algo tão famoso como a Coca-Cola, e que as pessoas falassem ‘mas é
óbvio que eu conheço!’. Quando você tem um objetivo em comum, é muito
mais fácil superar as dificuldades do dia a dia.”
Vocês adquiriram o Bondfaro em 2006, além de outras 18 empresas. Como foram os processos?
“Uma das principais foi a do Bondfaro, que era nosso concorrente. A
gente tinha geografias (eles eram do Rio de Janeiro) e culturas
diferentes. Muito do que alimentava o dia a dia do Bondfaro era a
competição com o Buscapé. E, de repente, tudo aquilo sumiu. Foi
complicado, boa parte do time original foi desligado. Em relação às
outras aquisições, trazíamos startups boas, as incluíamos em nossa
plataforma e conseguíamos inovar e oferecer para nossos 60 milhões de
usuários algo novo, criando degrau nos números da empresa. Mas, em todas
as situações, não pode haver choque de cultura.”
O que é empreender para você?
“Empreender é acreditar no impossível. Eu falo isso sempre: se você
quer empreender e está procurando uma ideia, não conheço nenhuma palavra
que agregue e traga mais sucesso, realização e felicidade do que a
palavra impossível. Se você escutou que algo é impossível, anota. Porque não tem esse negócio – justamente temos que acreditar no impossível.”
Fonte: Endeavor MAG, 20/07/2012.
http://endeavor.org.br/endeavor_mag/start-up/aprendendo-a-ser-empreendedor/empreender-e-acreditar-no-impossivel
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