quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Lições de Santa Maria: os cuidados que todo empresário deve tomar


O que os empreendedores brasileiros podem aprender com a tragédia na boate Kiss Por Rafael Farias Teixeira





Exatamente um mês depois da tragédia na casa noturna Kiss, em Santa Maria, no Rio Grande Sul, olhar para a catástrofe na tentativa de tirar dela algumas lições pode ser uma forma de evitar qualquer situação minimamente semelhante volte a ocorrer. O incêndio de 27 de janeiro matou 239 pessoas, deixou centenas de feridos e marcas que não se restringiram às famílias e aos amigos das vítimas.
Por todo o país, prefeituras se mobilizaram para revisar alvarás de casas noturnas e outros ambientes fechados e aumentar asegurança. Enquanto isso em Santa Maria, o inquérito sobre o incêndio continua em aberto e deverá ser concluído até o próximo domingo, 3 de março. Até o momento, 350 pessoas foram ouvidas e mais 150 devem depor até o fim de semana.

Mas, que lições tirar de uma tragédia assim? O que deveria ter sido feito para impedir a morte de tantas pessoas? O que a trajetória empresarial dos donos da casa noturna Kiss pode ensinar a empreendedores? Hoje revisitamos algumas dessas questões tentando extrair ensinamentos que possam ser aplicados por pequenos e médios empresários a seus negócios, para evitar desde crises e imprevistos menores até incidentes como o da Kiss.


1. A escolha do sócio

Para esse ponto é importante fazer um breve histórico da casa noturna: a boate Kiss, inaugurada em 2009, nasceu da sociedade entre dois empresários, Elissandro Spohr, conhecido como Kiko, e Mauro Londero Hoffmann. Spohr já tinha uma revendedora de pneus, e Hoffmann é dono de bares, restaurantes e casas de show em Santa Maria. De acordo com uma reportagem publicada pela revista Época, Hoffmann comprou 50% das cotas da Kiss no meio do ano passado, para salvar o empreendimento da falência. A boate, porém, não estava no nome de Spohr, mas nos de sua irmã e sua mãe, devido a dívidas de seu negócio anterior. Funcionários afirmaram em depoimentos que Hoffmann não era um sócio atuante na casa, e ele mesmo disse que só fazia parte da divisão dos lucros.

As poucas e contraditórias informações sobre os sócios e seus papéis na casa noturna levantam reflexões sobre como encontrar o parceiro ideal no momento de abrir uma empresa. “Mais do que um bom sócio, você precisa de um negócio que esteja dentro da lei, para saber se está investindo em um problema ou em uma solução”, afirma José Alfredo Lion, advogado especialista em direito empresarial. Com mais de 20 anos de atuação na área, Lion diz que antes mesmo de assinar um contrato societário, qualquer empreendedor precisa fazer uma pesquisa sobre a vida de seu sócio e identificar qualquer problema que possa prejudicar sua própria carreira. No caso do investimento em um negócio já estabelecido, descobrir como anda a saúde da empresa como um todo (e não apenas a financeira) é essencial.


O próximo passo é formalizar a união por meio de um contrato social. Para Gilberto Sarfati, professor da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV-EAESP), problemas societários são bastante comuns, o que requer um contrato claro, que estabeleça os direitos, as obrigações e as atribuições de cada um. Lion ainda recomenda a assinatura de um instrumento particular de acordo de acionistas, que cria regras de boa convivência e de lealdade entre os envolvidos, e que ficarão em voga até a dissolução da empresa. “Em qualquer sociedade empresarial, a conversa e o contato frequente entre os sócios são essenciais para o sucesso”, afirma Sarfati. “Caso os atritos sejam muitos, é recomendado pensar em terminar a sociedade por meio da venda das partes ou da própria dissolução de negócio.”

2. Como lidar com dívidas ao abrir uma nova empresa

Durante o processo de investigação sobre os sócios, descobriu-se que a revendedora de pneus de Spohr deve cerca de R$ 3 milhões em impostos ao governo federal e seus bens foram penhorados. Para Sarfati, professor da FGV-EAESP, o Brasil ainda tem uma visão muito negativa sobre o empreendedor que fracassa em um negócio e tenta empreender novamente. “Ninguém deveria ser visto como um criminoso só porque sua empresa quebrou e ele quer empreender novamente”, diz. “Em outros países, e aqui também, é muito comum abrir um novo negócio justamente para pagar dívidas.”

Ronaldo Gotlib, advogado e autor do livro Dívidas? Tô Fora – Um guia para você sair do sufoco, afirma que o empresário deve organizar suas dívidas em dois tipos, de acordo com a urgência do pagamento: as mais agressivas estão relacionadas a questões fiscais e trabalhistas, que podem prejudicar muito o negócio e sua imagem, e devem ser pagas antes. As mais brandas são as relacionadas a empréstimos com bancos, que sempre podem ser renegociadas mesmo durante a abertura de um novo negócio.

Obviamente, o cenário perfeito é que um empresário cuide de suas dívidas antes de começar uma nova empresa. No caso de dívidas muito agressivas, a melhor opção é evitar a abertura de um novo empreendimento. Diante de problemas financeiros mais controláveis, as soluções podem ser criar um planejamento orçamentário e ajustar as dívidas ao desenvolvimento da empresa. “O que o empresário não pode fazer é começar sem recursos por causa de dívidas”, diz Gotlin. “Isso é suicídio empresarial, principalmente se levar à negligência em determinados aspectos do negócio, como a segurança.”

3) Cuide da segurança

A principal discussão depois do incêndio na boate Kiss foi relacionada à segurança em empresas. Qualquer negócio deve se atentar às exigências feitas por órgãos que protegem tanto os consumidores quanto os trabalhadores, como o Ministério do Trabalho, com a portaria 3214/78, o Corpo de Bombeiros e a Associação Brasileira de Normas Técnicas. “Desde o começo da formatação e da construção do local físico da empresa, seus donos devem ficar atentos a qualquer condição que facilite acidentes”, afirma Kelly Marangon, advogada da Marangon, empresa de consultoria em segurança do trabalho. “No caso de incêndios, por exemplo, essa proteção não pode ficar restrita à instalação de alguns extintores no local”, diz. Segundo ela, a empresa deve ter um projeto de combate a incêndio feito por um profissional habilitado e devidamente aprovado pelo Corpo de Bombeiros, em que haja também a previsão de situações de risco.

Para evitar tragédias como a de Santa Maria, é preciso redobrar o cuidado com a prevenção, checando saídas de emergência, quantidade e validade de extintores, e quaisquer outros pontos relacionados à segurança. “Não existe risco zero, mas se você segue todas as normas de segurança estabelecidas por lei, boa parte do caminho está andada”, afirma Tatiana de Miranda Jordão, diretora-executiva da Crisis Response, empresa especializada em gestão de crises.

Ainda assim, acidentes podem acontecer mesmo em empresas muito cuidadosas e, portanto, é preciso se preparar para eventualidades. Segundo Tatiana, que também é professora de gerenciamento de crises e planejamento para contingências no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), primeiro é preciso envolver os donos e o alto escalão da empresa em todo o processo e não apenas escolher alguns funcionários para esta responsabilidade. Depois é necessário analisar quais são as possíveis áreas ou os pontos vulneráveis da sua estrutura e identificar planos de ação em caso de problemas em cada um deles. “Dessa forma você saberá como responder rapidamente”, diz Tatiana.

4) Treinamento em segurança

Um passo importante para manter uma empresa segura é o treinamento de seus funcionários. “Para os diversos trabalhos realizados, o colaborador deve ser treinado sobre como executar sua atividade com segurança”, afirma Kelly, da Marangon. Segundo ela todos devem saber como agir em caso de um acidente com um funcionário ou cliente ou na ocorrência de um incêndio em seu local de trabalho.

A equipe, portanto, deve estar ciente de como se comportar em cada situação – todas aquelas que você analisou e identificou anteriormente – e também saber com quem entrar em contato. Realizar treinamentos práticos para acostumar seus colaboradores a situações assim pode aumentar a eficiência deles em um incidente de verdade.

5) Gerenciamento de crise

Não importa qual é o tamanho do incidente dentro de sua empresa – desde um cliente que encontra um inseto em sua refeição até um incêndio com vítimas –, você deve estar preparado para atuar diante de uma crise. Isso vale tanto para uma resposta aos seus clientes quanto para os meios de comunicação, caso a situação tome proporções maiores.

O primeiro passo é sempre reconhecer o erro e não alimentar discussões ao reagir de forma agressiva. Caso haja ações legais, o ideal é procurar sempre uma solução amigável e evitar dispendiosas brigas judiciais. “Indenize quem precise ser indenizado e evite processos demorados, que só aumentam a raiva e o descontentamento do consumidor e acabam se disseminando para outros clientes”, afirma o advogado e autor Ronaldo Gotlib.

Em casos mais sérios, o empresário deve procurar as vítimas e recorrer ao seu seguro para amenizar os problemas dessas pessoas, usando, inclusive, seu patrimônio, caso o valor do seguro não seja suficiente. “Nesses casos é preciso esquecer o lado empresário e tomar a decisão ética e justa”, afirma o advogado José Alfredo Lion. Segundo ele, em casos como o da Kiss, o empresário deve ir ao Ministério Público e assinar um termo de ajuste de conduta, assumindo suas falhas e se comprometendo a fazer tudo que for preciso para se ajustar às exigências da lei, mesmo diante de possíveis sanções.


Fonte: Revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios, 27/02/2013.

http://revistapegn.globo.com/Revista/Common/0,,EMI331982-17180,00-LICOES+DE+SANTA+MARIA+OS+CUIDADOS+QUE+TODO+EMPRESARIO+DEVE+TOMAR.html

3 passos para a contratação


Por mais contraditório que pareça, o segredo para uma seleção mais rápida está em percorrer cuidadosamente cada etapa do processo.
O início do ano é um momento em que muitas empresas estão concentradas em selecionar e recrutar novas pessoas, ao mesmo tempo em que precisam entregar os primeiros resultados das metas estabelecidas no planejamento. Isso pode culminar em um processo malsucedido, que invariavelmente resulta em contratações equivocadas, demissões precoces e perda de tempo.
Pensando nisso, conversamos com Paulo Mendes, sócio-fundador da 2GET, empresa especializada em recrutamento de executivos, diretores e outras posições de liderança, sobre as etapas fundamentais de seleção e contratação, a fim de assegurar um processo mais eficiente em qualquer empresa, para qualquer vaga.
Estruturando um processo
Antes de qualquer coisa, passe um pente fino na vaga que está aberta. “É necessário definir o que você precisa. Nenhum processo de recrutamento é bem feito sem essa definição clara: qual é o perfil, as competências e as necessidades da empresa”, explica o empreendedor.
Depois, Paulo recomenda partir para um trabalho de definição dos setores a serem mapeados, perfis profissionais que tenham aderência ao que você busca. Feito isso, a etapa seguinte é geralmente a entrevista, com alerta para os filtros que devem ser feitos pelos analisadores.
“Esse filtro deve selecionar os finalistas – não mais que três – que realmente devem ser entrevistados e validados por todas as áreas que manterão relacionamento com eles no futuro. Uma vez aprovado o candidato ideal, é necessária uma checagem de referências completas do profissional, além de uma avaliação comportamental e psicológica, para minimizar erros possíveis.”
Não pule nenhuma etapa
Por mais que a sua empresa esteja com pressa para preencher determinada vaga, Paulo garante que atravessar etapas não é nem um pouco recomendável. “O segredo é contratar lentamente e, caso necessário, demitir rápido quem não consegue performar ou não se identifica com a cultura da empresa”, diz. “O processo pode ser rápido e bem sucedido, desde que não pule etapas.”
Cultura é o que importa
O principal aspecto a ser considerado no recrutamento não é o currículo, as competências ou experiências profissionais. Para o empreendedor da 2GET, a cultura e o perfil do candidato valem mais do que qualquer outra coisa.
“Não adianta ter pessoas muito boas tecnicamente se elas não respiram a cultura da empresa, não têm o seu DNA”, garante o especialista. Outro fator importante é alinhar as competências entre os analisadores, visto que não adianta contratar alguém com um ótimo currículo, mas que não tenha uma vaga e uma função bem definidas.
“Defina muito bem as competências técnicas e comportamentais exigidas antes de buscar o profissional. Já vimos empresas onde, ao perguntarmos para três diretores, em momentos separados, o que buscam em um profissional, recebemos respostas completamente diferentes. Ou seja: se as próprias lideranças não sabem o que buscar, o trabalho de contratação fica muito mais complicado”, finaliza.


Fonte: Endeavor MAG, 28/02/2013.
http://www.endeavor.org.br/endeavor_mag/gente-gestao/recrutamento/3-passos-para-a-contratacao

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

6 lições de liderança com os maiores presidentes da história


Entenda o que podemos aprender sobre liderança com os governos dos presidentes que marcaram história


Essa semana foi comemorado nos EUA o dia do presidente.
Como o Brasil apresenta uma história recente de ditadura, em que a persuasão era feita pela força, e uma transição democrática duvidosa iniciada por Collor, FHC e depois Lula, vamos ver o que podemos aprender sobre empreendedorismo com os maiores presidentes da história.
“O principal negócio da presidência moderna é a persuasão – convencer as pessoas a fazer as coisas que elas realmente deveriam fazer, mas não necessariamente querem fazer – o que não é tão diferente da missão de vender um produto ou serviço”.
É o que diz o historiador Richard Norton Smith, ex-presidente de bibliotecas de 6 presidentes e autor de “Thomas E. Dewey and His Times”, finalista do prêmio Pulitzer de 1983.
Sendo assim, aqui vão 6 lições do que podemos aprender com alguns dos mais célebres presidentes americanos, cada um ilustrando seu método peculiar de comunicação.

#1. Aponte grande, mas seja específico

John Kennedy pensou grande o suficiente para levar o homem à Lua.
John Kennedy pensou grande o suficiente para levar o homem à Lua.
John Kennedy transformou com sucesso o seu objetivo de colocar o homem na lua até o final da década de 1960, a partir da ideia de uma realidade possível.
De acordo com Douglas Brinkley, autor e professor de história daRice University, Kennedy tinha uma boa abordagem de vendas, dizendo que era possível vencer a União Soviética.
Quando ele disse “que podemos vencer” ele capturou a atenção e a imaginação das pessoas. Mas foram os detalhes, bem como o seu plano específico, que deram aos políticos e aos americanos algo a perseguir.

Lição para os empreendedores

As empresas precisam se perguntar “qual é a nossa viagem à lua?”, e em seguida trabalharem em um quadro de estratégia e de tempo específico para que a viagem aconteça.
Pense sobre o que é grande e ousado e o que sua empresa pode fazer a respeito e faça. Além disso, um cronograma é extremamente importante, porque significa mais do que promessas vazias.

#2. Saia entre as pessoas

Franklin D. Roosevelt sofreu de poliomielite e passava os verões em tratamento no Georgia Warm Springs Foundation aonde ele pode se relacionar com alguns dos americanos mais pobres do país.
Franklin Roosevelt é exemplo de um presidente que saiu e escutou as pessoas. Isso foi o responsável por várias das suas ideias sobre o New Deal.

Lição para os empreendedores

Nesta época de videoconferências via Skype é fácil para empreendedores e vendedores perderem o contato pessoal que é muito importante na construção de relacionamentos.

#3. Conte bem a sua história

Abraham Lincoln sabia muito bem contar boas histórias.
Abraham Lincoln sabia muito bem contar boas histórias.
As melhores histórias são as mais ensaiadas. A história de Abraham Lincoln em seu vagão de trem ensaiando o seu discurso de Gettysburg é lendária.
Em seus discursos e conversas, Lincoln ainda era capaz de citar longas passagens da Bíblia, fábulas de Esopo e outros livros que devorava com o apetite de uma criança.

Lição para os empreendedores

A propensão de Lincoln para a memorização serviu muito bem ao seu propósito. Principalmente quando ele estava se dirigindo a chefes de Estado, membros do gabinete ou ao povo americano.
Conhecer o seu discurso de vendas para a ponto de poder proferi-lo dormindo e antecipar-se a todas as perguntas é a chave para os sucessos nos negócios.

#4. Um plano memorável requer um longo caminho

“A única coisa que temos a temer é o próprio medo. Não pergunte o que o seu país pode fazer por você, pergunte o que você pode fazer pelo seu país”. Franklin Roosevelt e John Kennedy.
Não há nada tão eficaz como uma mensagem simples, mas memoráveis como essas 2 frases icônicas. Com uma retórica poderosa, os 2 presidentes agitaram as suas gerações para a ação.

Lição para os empreendedores

Se alguém escutou o que você disse e não pode repetir nem uma palavra do que foi dito, o que foi dito não serviu para nada.
E isso pode valer para o discurso de um presidente, na campanha de marketing de uma empresa, ou uma apresentação de vendas.

#5. Coloque o lado humano nas coisas

Lyndon Johnson soube usar a sua história e suas dificuldades a seu favor.
Lyndon Johnson soube usar a sua história e suas dificuldades a seu favor.
Quando Lyndon Johnson tentou vender as suas reformas doGreat Society para o povo americano, ele usou a própria experiência de ter crescido em meio à pobreza para humanizar o programa.
As histórias fundamentadas na sua experiência no Texas deu vida às estatísticas e programas como o Head Start assumiu uma dimensão totalmente nova.

Lição para os empreendedores

Seja você um presidente que tenta vender uma ideia, ou um empreendedor tentando vender um produto, utilizar as suas experiências de vida podem adicionar um tanto de profundidade à apresentação.
É possível fazer muito mais quando nos conectamos com as pessoas primeiro emocionalmente e apenas depois disso, intelectualmente.

#6. Não há nenhum substituto para a personalidade

Se Kennedy amolecia os repórteres facilmente com o seu senso de humor, ou Ronald Reagan usava o seu poder de persuasão para empurrar suas políticas ao Congresso, o carisma dos 2 foram fundamentais para o sucesso.
Não importa qual é a mensagem quando ela é entregue com charme, inteligência e integridade.

Lição para os empreendedores

Não importa o que você está lançando, o seu apelo pessoal pode ser tão importante quanto a qualidade e preço do seu produto.
Além de vender suas visões políticas, os presidentes foram capazes de vender a si mesmos. E isso vale muito para os empreendedores.

Fonte: 26/02/2013.

http://www.jornaldoempreendedor.com.br/destaques/inspiracao/6-licoes-de-lideranca-com-os-maiores-presidentes-da-historia

É hora de mudar o jogo


Desde a fase inicial da sua empresa, o empreendedor está sujeito a mudanças que, muitas vezes, não dependem dele. Veja como lidar com elas.
Quantas vezes você já se deparou com situações nas quais teve de mudar o foco, estratégia ou processos da sua empresa devido a algum fator não calculado anteriormente? André Schuartz, fundador daCassinera, empresa que leva a experiência dos cassinos americanos a festas privadas, está ainda no começo de sua carreira como empreendedor, mas revela que já precisou rever o seu mindset diversas vezes.
A própria empresa era algo que parecia impossível no começo, graças ao artigo 50 da Lei das Contravenções Penais da Constituição Nacional, que desde 1946 proíbe jogos de azar, ou seja, o jogo em que o ganho ou perda depende exclusivamente do fator sorte, em lugares acessíveis ao público, mediante pagamento de entrada ou sem. O empecilho foi contornado tornando o lucro proveniente da locação das mesas e não dos jogos.
Antes de aterrissar no Brasil trazendo vigas de madeira, fichas de pôquer, cartas de baralho e trajes de crupiê, André imaginava que seus futuros clientes seriam principalmente aniversariantes, noivos e organizadores de “eventos sociais”. No entanto, ao participar de eventos na casa de diretores e executivos de empresas percebeu o potencial de um novo mercado. “Descobri os eventos corporativos e, em pouco tempo, eles passaram a ser responsáveis por grande parte do nosso faturamento”, conta.
A partir de uma amostra de 100 eventos organizados em um determinado período de tempo, sendo 60 sociais e 30 corporativos, a Cassinera concluiu que esses 30% realizados em organizações representavammais de 70% do lucro total. “Na festa da casa de alguém, você coloca no máximo três ou quatro mesas e nunca é a atração principal; é sempre o aniversariante ou a noiva. Já nas empresas, nós somos as grandes estrelas e levamos mais mesas”, observa.
Outra coisa que o empreendedor teve de mudar no caminho foi a estratégia de divulgação. “Eu acreditava que conseguiria vender o meu produto com a ajuda dos amigos como sócios. Acontece que, embora a grande maioria achasse a proposta divertida, não acreditava que eu conseguiria monetizar o negócio. Então, parti para a mídia espontânea, e deu certo”, revela.
André percebeu que seus clientes mais rentáveis eram as empresas.
Depois de expandir a sua atuação na cidade de São Paulo, André sonhou mais: queria chegar a outros polos econômicos do Brasil. Consumidores potenciais, que ficaram conhecendo o trabalho da Cassinera, começaram a reclamar da falta de operação da empresa fora do Sudeste. “Era uma queixa comum de nossos clientes, que não conseguiam fazer um evento social de pequeno porte em outra região do país”, comenta André. No entanto, os preços que teria de cobrar pelo mesmo serviço prestado na capital paulista seriam imensamente maiores dependendo da região. “Um evento aqui custaria 6 mil reais, enquanto no Nordeste, por exemplo, o preço mudaria para 18 mil”, compara. “O custo do deslocamento das mesas e da equipe, alimentação e estadia é muito alto. O tempo que a mesa passa fora de São Paulo também é cobrado.”
A próxima manobra de André, ainda em fase de testes, para tornar viável a aposta e alcançar o objetivo de expansão foi optar por franquias. “Começamos em Florianópolis, como uma experiência para avaliar em 2012. Agora, já faz parte de nossas metas de 2013 expandir para outros centros do país. Queremos chegar a 25 cidades”, destaca o empreendedor, alertando que este é apenas o começo de uma empresa promissora em território nacional. “Esse é o nosso objetivo, mas ainda estamos no começo do jogo, dando as cartas.”

Fonte: Endeavor MAG, 26/02/2013.
http://www.endeavor.org.br/endeavor_mag/start-up/aprendendo-a-ser-empreendedor/e-hora-de-virar-o-jogo

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

As tendências do varejo mundial


O que muda na arquitetura dos negócios a posição do consumidor no centro das decisões? Descubra como esta e outras reflexões sobre o varejo contemporâneo podem afetar o seu negócio.
O consumidor está mais empoderado e conhecedor dos produtos e serviços das empresas. Além disso, busca autenticidade das marcas e um alinhamento claro entre o propósito do negócio e o que ele oferece. Em paralelo, o conceito de multicanal evoluiu, passando a envolver todas as interações dos clientes com os pontos de contato das marcas. Esses são alguns dos principais aprendizados em torno do varejo contemporâneo captados durante o evento internacional Retail’s Big Show, organizado pela National Retail Federation, em Nova York.
A partir da pluralidade de tendências, inquietudes e reflexões presentes neste tipo de encontro, é possível traçar diversos panoramas de negócios e transformar a informação em conhecimento. Lembrar que o consumidor está no centro das decisões, por exemplo, muda bastante a arquitetura dos negócios e traz mudanças positivas para as empresas, que terão de ser mais ágeis e simples no seu funcionamento, com equipes preparadas para essa nova realidade.
Dessa maneira, reúno aqui uma lista de 5 insights importantes para os empreendedores que estão buscando conhecimento e tendências para melhorar o varejo e os canais de vendas/franquias no Brasil, visto que os desafios são enormes para todos que pretendem conquistar maior acesso ao mercado, seja por franquias ou unidades próprias, ou por outros canais de vendas, como distribuidores, representantes comerciais, e-commerce etc.
O consumidor no centro das decisões: Com a avalanche de opções de compras disponíveis e com o manancial tecnológico de apoio (celulares, smartphones, acesso a web, mobilidade, mídias sociais etc.), o consumidor está cada vez mais empoderado e conhecedor dos produtos e serviços das empresas, muitas vezes até mais que as equipes de venda e atendimento das empresas varejistas e franqueadoras. Esse consumidor tende a acreditar cada vez menos na publicidade dos negócios e ler (ouvir) os depoimentos de outros clientes – customer reviews – sobre suas percepções da marca e produtos.
Efeito “showrooming”: Frequentar as lojas físicas para conhecer os produtos e serviços das empresas, fazer pesquisas e comparativos antes da decisão de compra se tornou algo fundamental no processo de compra e isso tem trazido enormes desafios para as empresas que não trabalham numa visão integrada de canais de vendas. O conceito refere-se ao fato do consumidor usar as unidades físicas como showrooms das marcas e depois decidir a compra por meio do e-commerce (no site de um outro fornecedor, por exemplo), do mobile commerce (uso de um smartphone com acesso a web) ou das mídias sociais (onde avalia as opiniões dos consumidores).
Omni-Channel: A essência do “omni” (significado de tudo, todos, totalmente, etc.) é estar presente em todos os canais de vendas possíveis para permitir ao cliente o acesso àquele que julgar relevante no momento da compra, e de maneira alinhada. É uma evolução do conceito de multicanal, porque envolve não somente a venda, mas todas as interações do cliente com os pontos de contato das marcas. Aqui reside o maior desafio: alinhar a promessa da marca e oferecer uma prestação de serviços e atendimento adequados, além de produtos com uma visão integrada dos canais de vendas. Muitas vezes, a gestão de toda essa rede é bastante complexa por envolver não somente as unidades próprias da empresa, mas franquias, representantes comerciais, distribuidores, agentes/dealers, entre outros canais de acesso ao mercado.
Liderança consciente: Cada vez mais os clientes buscam autenticidade das marcas e um alinhamento claro entre a sua promessa e propósito de negócio com o que está sendo oferecido e a liderança tem papel fundamental como guardiã da marca e transmissora das tradições e valores para toda a equipe. Propostas de negócios sem uma clareza de propósito não atraem mais tantas pessoas para trabalhar e isso tem impacto em toda a cadeia de valor, desde a contratação de gente sem o perfil e preparo adequados até um atendimento desalinhado e não autêntico. Com 85%, propósitos claros e alinhados com valores pessoais são o maior fator de decisão da escolha de um empregador para a Geração dos Millennial (entre 18 a 34 anos), a frente de condições salariais, por exemplo.
Execução: Nas empresas varejistas do mundo todo, a execução tem conquistado mais destaque do que a estratégia, com a disciplina na busca de resultados consistentes, alinhados a um plano, que não permite distrações e perda de foco. Como a evolução é muito rápida, a mediocridade nos negócios não é mais tolerada, para que as empresas se tornem perenes e com resultados consistentes.

Fonte: Endeavor, 25/02/2013.
http://www.endeavor.org.br/endeavor_mag/marketing-vendas/canais-de-distribuicao/as-tendencias-do-varejo-mundial

Ex-faxineiro que virou empreendedor lança livro em que conta a sua trajetória de sucesso


Davi Moreti/Divulgação
Davi Moreti/Divulgação
Livro "Como assim?!" conta trajetória de Tedd Albuquerque
Foi com apenas seis anos que Ednelson José da Rocha Albuquerque, o Tedd Albuquerque, teve sua primeira "ideia empreendedora". Como sua mãe não tinha dinheiro para pagar a entrada do circo, ele resolveu montar a própria apresentação no quintal da casa em Barreiros, no interior de Pernambuco, para ganhar alguns trocados. Hoje, com 48 anos, Tedd está a frente do movimento Como assim?!, que é composto pela feira do Shopping Center 3, na Avenida Paulista, e de uma galeria na Praça Benedito Calixto.
A trajetória do empreendedor está narrada no livro "Como Assim?!... A ideia que mudou a vida de milhares de pessoas e revolucionou a Economia Criativa do Brasil", lançado no fim do ano passado, pela editora Biografia. O caminho até a vida de empresário não foi fácil. Depois das apresentações de  circo, Tedd ainda trabalhou na feira vendendo frutas e com oito anos passou a lavar os carros dos clientes que iam até a sua casa em busca dos serviços de manicure da irmã.
No interior, chegou a trabalhar no banco, mas resolveu fazer faculdade em Recife - não chegou a concluir na época por falta de dinheiro. "Não consegui emprego em Recife, mas não queria voltar para a minha cidade e começar tudo de novo. Resolvi ir para São Paulo, uma cidade onde não conhecia ninguém e podia começar do zero", conta.
Em São Paulo, trabalhou como carregador de móveis, garçom e lavou pratos até conhecer a então deputada Ercy Ayala. Ela se sensibilizou quando Tedd começou a chorar quando a garrafa de whisky que ele servia foi quebrada.
"Uma garrafa de whisky Buchana´s era como se fosse um trabalho de três fins de semana. Comecei a chorar e ela me deu um cartão de visita e pagou a garrafa. Fui indicado para trabalhar em uma empresa de informática como assistente de importação", lembra. Para ajudar a pagar as contas, o empreendedor ainda trabalhou como faxineiro.
Novas áreas. Tedd começou a viajar para o Paraguai para fazer compras nos fins de semana e depois passou a trabalhar na área de turismo. Durante um congresso, o empreendedor teve a ideia de promover um encontro de mulheres na política. Chegou a realizar oito edições.
Mas foi durante uma de suas viagens, na Inglaterra, que ele conheceu Camden Town. "Fiquei encantado com esse espaço e fiquei com a ideia na cabeça de promover isso no Brasil, de reunir criadores", conta. De uma ação social no Conjunto Nacional, a feira de criadores se instalou aos domingos em um estacionamento localizado na esquina das ruas Haddock Lobo e Alameda Santos aos domingos. Em 2000, a feira foi transferida para o Shopping Center 3. Atualmente, os 217 expositores movimentam em torno de R$ 5 milhões por mês.
O movimento Como Assim?! também está presente na Praça Benedito Calixto, com um espaço para os 46 criadores exporem seus trabalhos, além de uma restaurante. Tedd também planeja a inauguração de uma área fitness, voltada para estética e saúde.
Nome. De tanto ouvir a indagação "Como assim?!", Tedd resolveu adotá-la como nome do movimento. "Quando começamos no estacionamento, só aos domingos, as pessoas chegavam na segunda e falavam: como assim? Cadê a feira que estava aqui? Quando eu explicava que tinha moda, circo e outras artes do espaço, as pessoas também falavam: mas como assim, não é uma feira? Foi um nome que pegou", explica Tedd.


Fonte: Estadão Pme, 24/02/2013.
http://pme.estadao.com.br/noticias/noticias,ex-faxineiro-que-virou-empreendedor-lanca-livro-em-que-conta-a-sua-trajetoria-de-sucesso,2718,0.htm

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Me engana que eu gosto!


“Líder servidor”: esse é o bordão que mais aparece na atualidade quando o papo é formação de lideranças. Se tiver dúvidas, dê uma googlada e verá algo como seis milhões de referências indexadas pelo rei dos buscadores para essa expressão!
Êpa! Tem algo aí no gênero “me engana que eu gosto”.
Isso me soa mais como uma tentativa de horizontalizar demagogicamente a posição do líder do que resolver problemas que a administração tradicional não consegue resolver mais. Uma tentativa meramente retórica de fazer evoluir uma cultura de administração que ainda se encontra predominantemente baseada no famoso modelo de gestão conhecido como Comando-e-Controle (CC). O modelo CC é um paradigma que herdamos dos chefes militares de mais de cinco mil anos, que resulta em organizações fortemente hierarquizadas, burocráticas e orientadas por processos que tendem a tornar o ser humano uma engrenagem facilmente substituível.
O Comando-e-Controle ortodoxo está claramente de prazo vencido desde o final do século passado. Ele termina por construir ambientes organizacionais asfixiantes e difíceis de aturar que são característicos de empresas das quais as pessoas pulam fora com mais facilidade, e nas quais os mais talentosos são os mais difíceis de reter. O que fazer quando o chicote não está mais fazendo efeito?
Nesse contexto, o papo de “líder servidor” me parece a tentativa bem intencionada de melhorar a gestão fazendo com que liderança se espelhe em ícones de humildade como Gandhi, Madre Teresa de Calcutá, São Francisco de Assis, etc. Quem sabe se o chefe virar um cara bonzinho, legal e bacana as coisas não ficam mais fáceis de fazer acontecer? Mas, ainda que o chefe seja em termos de atitude o campeão da empatia e da humildade, eu acho que não basta.
Não vejo consistência suficiente na argumentação “líder servidor” como um marco que, de fato, estabeleça um novo patamar de sistema de gestão mais eficaz e eficiente. Um sistema que resulte tanto em genuíno empowerment quanto de desenvolvimento dos liderados, de forma a fazê-los render muito mais do que eles próprios imaginam.
E você? Acredita mesmo que essa história de que “líder servidor” é uma saída evolutiva para transformar as empresas em organizações adaptadas para a Economia do Conhecimento que estamos adentrando? Ou você pensa como costuma dizer Clemente Nobrega, meu colega de blog aqui do lado, que isso é só mais um “papo da gurulândia da gestão”?

Fonte: Época Negócios, 21/02/2013
http://colunas.revistaepocanegocios.globo.com/foradacaixa/2013/02/21/me-engana-que-eu-gosto/

Wireless: necessidade vs. comodidade?





Em 2014, o mundo terá mais celulares do que pessoas. Esse é um estudo da União Internacional de Telecomunicações (UIT), que retrata também que hoje há mais de 100 países com penetração de telefonia móvel superior à 100% da população, e em sete desses países, a densidade ultrapassa os 200%. O estudo mostra também que as receitas deste setor superam U$ 1,5 trilhão por ano, equivalente à 2,4% do PIB mundial. Há mais de 6 bilhões de assinaturas de celular no mundo.
O Gartner revelou as principais tendências tecnológicas para 2013, incluídas num cenário de projeções para os próximos cinco anos. Para o próximo ano, o Gartner coloca a crescente adoção de dispositivos móveis, tablets e smartphones, em ambiente empresarial, no topo da lista.
Se para ter acesso à Internet para você ainda é sinônimo de cabos para todos os lados, já está na hora de rever seus conceitos. Há cerca de vinte anos, a tecnologia Wireless trouxe mobilidade aos acessos. Mas esta cultura ainda está sendo desenvolvida no Brasil.
Wireless ou Wi-Fi (Wireless Fidelity) significam em português - rede sem fio - e refere-se a uma rede de computadores sem a necessidade do uso de cabos, funciona por meio de equipamentos que usam radiofrequência, comunicação via ondas de rádio, ou comunicação via infravermelho.
A comunicação sem fio permite às pessoas maior flexibilidade quando se comunicam, por que não precisam permanecer numa localização fixa. As tecnologias sem fio tornam os serviços de comunicação facilmente disponíveis do que os tradicionais baseados em fios, que exigem a instalação de cabos.
Quando o assunto é comunicação sem fio, a principal preocupação dos gestores de TI é em relação a segurança dos dados e no transporte das informações. Mas acho engraçado como a maioria dos gestores se esquece da segurança quando a rede é cabeada. Cito um exemplo genérico: a cada empresa que visito, peço um cabo de rede para acessar a Internet e não é raro eu ter acesso a rede corporativa, somente conectando meu notebook no cabo “emprestado”. Um exercício básico, é mapear as unidades de rede compartilhadas, assim como identificar os endereços de rede dos servidores. Acredite, é muito comum.
Portanto, não importa se a rede é cabeada ou sem fio, a segurança da informação tem que ser tratada de forma a manter a segurança dos dados sigilosos. E o mais legal é que, atualmente, conseguimos usar os mesmos protocolos de segurança e a mesma política de segurança, tanto para rede cabeada como para rede sem fio.
As tecnologias de comunicação sem fio evoluíram tanto nos últimos anos que, além dos altos níveis de segurança, hoje conseguimos atingir um nível maduro de gerenciamento desta rede. Através de políticas de configuração nos equipamentos que provêm a comunicação sem fio, conhecidos como Access Point, podemos em um único equipamento, configurar a rede corporativa e uma rede apartada para os visitantes acessarem a Internet, sem ter acesso nenhum a rede corporativa.
Há uma grande diferença entre implementar uma rede sem fio doméstica, onde você mesmo é capaz de instalar e configurar, e uma rede sem fio corporativa. Nesta segunda, as configurações não são triviais, visto que há necessidade de executar uma boa política de segurança, inclusive com equipamentos responsáveis por detectar tentativas de invasões, firewalls (equipamento responsável pela segurança, que permite ou nega determinado tráfego na rede), entre outros. Portanto, é de suma importância que empresas especializadas sejam consultadas para acompanhar o processo de implementação de uma rede sem fio segura.
"Não dá mais para pensar TI sem nuvem e sem mobilidade", destaca Cassio Dreyfuss, vice-presidente do Gartner. Mundialmente, mobilidade passa computação na nuvem na lista de prioridade e toma a segunda posição. "A TI como conhecemos - desenvolvimento, produção e suporte - está ai há 40 anos. Essa TI não suporta mais os tempos de hoje. Os tempos estão turbulentos na área de TI e as mudanças se impõem. Quem não pensar diferente, vai enfrentar sérios problemas", adverte Dreyfuss.
O vice-presidente do Gartner vai além: segundo ele, 90% de todas as iniciativas de TI não vão ser bem-sucedidas. "Não prevejo apenas o fracasso. Mas TI, como está hoje, não tem como entregar 100% das demandas. Os tempos são turbulentos e exigem colaboração. E não é tarefa simples", complementa.
De fato, acredito que a maioria das pessoas não sabe que precisam de internet sem fio até começar a usá-la.
A tecnologia wireless apresenta grande capacidade de crescimento no mercado mundial. A tecnologia traz uma proposta de comunicação rápida, segura e de fácil acesso, fazendo com que o usuário esteja on-line o tempo todo, ou seja, a proposta é de que: qualquer um poderá estar em qualquer lugar.
O chamado mundo móvel está realmente se tornando cada vez mais móvel. A tecnologia wireless vem ampliar ainda mais esta mobilidade já fornecida pelos notebooks, disponibilizando a informação ao usuário a qualquer momento e em qualquer lugar. Sem dúvida alguma estamos caminhando para um mundo sem fronteiras, onde os smartphones estão cada vez mais presentes.
Não posso encerrar esse artigo sem dizer que estamos caminhando cada vez mais em direção as comunicações sem fio, e é mais do que claro, é um caminho sem volta. Nenhuma empresa usará uma rede 100% sem fio, mas o uso genérico das comunicações sem fio é uma demanda mais que real atualmente.
E você, acha que a comunicação sem fio é uma comodidade ou uma necessidade real?


Fonte: Admonistradores.com, 20/02/2013.
http://www.administradores.com.br/noticias/tecnologia/wireless-necessidade-vs-comodidade/73507/

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Como podemos tornar as pessoas mais honestas?


As pessoas, ao que tudo indica, são excepcionalmente boas em racionalizar a sua própria desonestidade

Economistas comportamentais têm alguns truques para garantir que as pessoas se comportem melhor.
Dan Ariely é um economista comportamental conhecido por seu best-seller Predictably Irrational” em que ele mostra como os seres humanos – e os mercados – são muito menos racionais do que podemos imaginar.
Em seu último livro, ele assume a questão do por que as pessoas se comportam de forma desonesta e conclui novamente, que não é do jeito que pensamos.
As pessoas não fazem uma análise de custo benefício antes de mentir, ou tirar vantagem sobre alguma coisa, como comumente pensamos.
Essas pessoas usam a psicologia cognitiva flexível para pensar em si mesmo como uma pessoa honesta, assegurando ao mesmo que consigam tirar tanta vantagem quanto possível.
Afinal, muitas vezes essa pessoa está inserida em um ambiente – seja familiar ou empresarial – que a fazem agir dessa maneira, sem muitas vezes conseguir compreender que está sendo completamente desonesta.
A chave é a racionalização para que com isso seja possível manter uma distância psicológica das consequências.
O vídeo abaixo é uma animação de uma palestra de Ariely, intitulada “The (Honest) Truth About Dishonesty”, e é muito divertida com inúmeros exemplos práticos.

Como explicar a origem da desonestidade?

A distância explica alguns negócios relacionados com a desonestidade. Por exemplo, os banqueiros podem racionalizar a manipulação da taxa de juros porque eles não estão nem perto das pessoas que vão pagar o preço mais caro para a sua hipoteca.
Além do mais, fica mais fácil se outras pessoas também estão fazendo isso ou, por exemplo, se há uma causa maior, como a caridade.
Após tentar entender o que motiva as pessoas a agirem desonestamente, Ariely fez diversos experimentos para descobrir o que fazer para reduzir isso. Algumas soluções realmente parecem funcionar.
Nem todas as pessoas são desonestas para prejudicar os outros. Muitas vezes elas estão apenas querendo o seu próprio benefício. Nem todas as pessoas estão contra as outras. Muitas vezes elas apenas estão a favor de si mesmas.
É preciso deixar a máscara da desonestidade de lado e agirmos com integridade.
É preciso deixar a máscara da desonestidade de lado e agirmos com integridade.

A cura para a desonestidade

Dê às pessoas a capacidade de se confessarem regularmente, pois a oportunidade de dizer o que fizemos de errado para termos um novo começo é muito poderosa. Lembretes regulares de padrões morais com códigos de honra também funcionam.
Promova no seu ambiente, sempre que possível a ética e a conduta honrada, uma vez que os exemplos precisam vir de cima.
Uma criança que vê o pai tirando vantagem no troco na padaria, quando crescer vai querer tirar a mesma vantagem porque viu o pai fazendo o mesmo a vida toda e, aquilo para ela é natural.
Porém, os blocos de construção de desonestidade no mundo empresarial são fortes conflitos de interesse, regras vagas e a capacidade de racionalizar.
O que precisa ser feito para aumentar a honestidade é atacar todos os 3 índices, tanto quanto pudermos, principalmente com atividades que sejam mais fáceis de racionalizar.
Tal como as finanças, por exemplo. A desonestidade foi uma racionalização especialmente fácil que acarretou na crise de 2008. Não que todos os banqueiros sejam desonestos, mas as condições também favoreceram a desonestidade.
“Todas as pessoas têm a capacidade de serem muito ruins. Na hora do jogo, criamos circunstâncias para que todos se comportem mal. A melhoria do sistema exige, portanto, mudar as estruturas de incentivo, tanto quanto punir as pessoas certas”, finaliza Ariely.


Fonte: Jornal do Empreendedor, 21/02/2013.
http://www.jornaldoempreendedor.com.br/destaques/inspiracao/como-podemos-tornar-as-pessoas-mais-honestas

O valor do trabalho intelectual


Entender as pessoas é o primeiro passo para obter o máximo de resultados.
Imagine que lhe sobraram algumas horas num sábado e você deve escolher entre duas atividades domésticas: ir ao supermercado fazer a compra do mês ou planejar as férias de verão. Se você não fizer as compras, sabe que terá de sair diversas vezes depois, fazer pequenas compras em padarias e lojas de conveniência, gastar mais tempo e dinheiro, mais deslocamentos etc. Planejar as férias seria algo que você poderia fazer em outro momento, afinal, ainda restam meses para a viagem e isso pode ser feito em horários alternativos. Se mesmo assim você escolheu planejar a viagem, não se culpe: você é humano e agiu como a grande maioria.
Assim funcionam as pessoas. Mais do que compreender, é fundamental aceitar e aprender a lidar com isso. Diante de uma escolha ou priorização, as pessoas escolhem o que é melhor para elas. Os economistas bem sabem que o termo “utilidade” significa o valor de algo para um indivíduo específico. Pois bem, seria ótimo que as pessoas na sua empresa sempre optassem pelo que é melhor para o crescimento sustentável da empresa (especialistas até tentam alinhar os incentivos do indivíduo com os objetivos da companhia), mas a grande falha é que os programas de incentivo geralmente partem do princípio que o valor para a pessoa está no dinheiro. As pessoas vão muito além disso. Afinal, você iria ao supermercado ou planejaria as férias?
Diante de uma escolha, as pessoas elegem a que tem mais utilidade para elas e existem muitas variáveis que influenciam a decisão: recompensa financeira direta, recompensa financeira de longo prazo(aqui terminariam os programas de incentivo), esforço intelectual, esforço físico, aptidão, relações pessoais envolvidas, desafio, reconhecimento pessoal, prazer imediato e de longo prazo. Para complicar um pouco mais, todos estes estímulos têm pesos diferentes de pessoa para pessoa. É isso que nos torna maravilhosamente complexos.
Fato é que todo trabalho intelectual é, em sua essência, voluntário. Quanto mais você precisa de pró-atividade, de criatividade e de superação, mais você depende da benevolência das pessoas. Elas querem, elas fazem. Elas não querem... Um programador pode te dar quinze diferentes justificativas para dizer que não é possível fazer o que está sendo pedido no prazo estipulado. E o pior é que todas elas serão plausíveis, coerentes e tecnicamente corretas. Muitas vezes o real motivo é: eu não quero. A diferença entre fazer o básico necessário para o trabalho e fazer algo diferenciado, em diversas funções na empresa, é gigantesca. E toda essa diferença parte da vontade pessoal de cada um.
Então nos perguntamos: qual o sentido de sistemas de ponto ou controle de horas para equipes de onde o que se deseja é o produto intelectual do trabalho? Como remunerar a ideia que alguém tem no banho?Como descontar o tempo que a pessoa fica no Facebook? Estas questões não existem. Colocar um sistema de ponto para uma equipe intelectual significa transmitir a seguinte mensagem: eu só quero que pense na empresa do momento em que registrou a entrada até o momento em que você registrou a saída. Essas são as equipes que farão a diferença? O pensamento não tem fronteiras, não tem hora para começar, não tem hora para terminar.
Inserida toda a complexidade, como resolvê-la? Não é fácil. Não há fórmula pronta. Se houvesse, empresas com programas de incentivos bem desenhados teriam desempenho igual. Líderes não seriam tão valorizados.
A empresa é feita por pessoas e assim elas devem ser reconhecidas. Há que se entender as pessoas e a importância de cada uma de suas motivações. Deve haver proximidade e ela deve ser real. As pessoas têm que ter prazer no trabalho, elas podem e devem se relacionar com outras de quem gostam. Elas devem ser alocadas às funções que se adéquam às suas motivações. Qual a melhor forma de fazer isso? Pergunte a elas. Se por um lado é muito fácil fazer o mínimo num trabalho intelectual, não existem limites para o máximo. Nesse sentido, para as pessoas que querem, toda a remuneração é simbólica.

Fonte: Endeavor MAG, 21/02/2013.
http://www.endeavor.org.br/endeavor_mag/gente-gestao/recompensa-e-reconhecimento/o-valor-do-trabalho-intelectual

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Empreendedorismo de cabelos brancos



O senso comum traduz geralmente uma percepção correta da realidade. Mas nem sempre. Muitas vezes a realidade é contra intuitiva. Por exemplo, o senso comum aponta corretamente o fato de que pessoas ainda jovens são os grandes protagonistas da revolução digital. Casos emblemáticos ilustrados por Steve Jobs, Bill Gates, Mark Zuckemberg e Michael Dell. Todos esses foram capazes de desenvolver inovações de ruptura de impacto global ainda na faixa entre 20 e 30 anos.
Baseados nessa premissa, o senso comum imagina que empreendedorismo é igualmente protagonizado pelos indivíduos jovens. Entretanto, nos EUA a realidade é outra. De acordo com pesquisas da Kauffman Foundation, entidade norte-americana que realiza estudos com foco em empreendedorismo, das novas empresas criadas nos EUA em 2011, 21% foi fundada por empreendedores com idades entre 55 e 64 anos.  Além disso, os empreendedores na faixa entre 45 e 54 anos fundaram 28% das novas empresas. Isso quer dizer que as pessoas entre 45 e 64 anos foram responsáveis por 49% das empresas iniciantes, bem acima dos 29% da faixa dos 20 aos 34 anos.
Mas tem mais, high tech não é apenas território exclusivo para jovens empreendedores, conforme sustenta Dane Stangler, diretor de análise e políticas da Kauffman Foundation: “Estamos vendo muitos empreendedores em campos como a tecnologia e engenharia, que estão lançando empresas de peso”… “Eles criaram empresas quando estavam na faixa dos 30 e dos 40 anos e estão fazendo isso de novo.”
O maior protagonismo dos empreendedores de cabelos brancos parece ser uma tendência em aceleração. Um bom indicador é dado pelo fato de que a faixa entre 45 e 54, responsável pela criação de 21% das novas empresas em 2011, foi responsável por 14% das novas empresas em 2007, também de acordo com as pesquisas da Kauffman Foundation.
E você de cabelos brancos – ou carecas como eu! – está nos seus planos uma vida de empreendedor depois dos 45 ou você pensa mesmo é em “sombra, água fresca e botina larga”?

Fonte: Época Negócios, 13/02/2013.
http://colunas.revistaepocanegocios.globo.com/foradacaixa/2013/02/19/empreendedorismo-de-cabelos-brancos/