Do que é feito um empreendedor de sucesso? Confira isso e muito mais em uma conversa com Pedro Passos, sócio-fundador da Natura.
Ele trabalhava em uma empresa de fundição de latão, logo após se formar na Escola Politécnica da USP. Algum tempo depois, saiu de um cargo de gerente industrial de uma multinacional para trabalhar em uma pequena empresa de cosméticos no início dos anos 80, quando ela ainda tinha apenas 17 funcionários. Sua aposta deu certo e Pedro Passos é, hoje, um dos maiores empreendedores do país no comando da gigante Natura, ao lado de Luiz Seabra e Guilherme Leal.
Neste papo descontraído com o time da Endeavor Brasil, Pedro divide toda sua experiência de décadas no mercado brasileiro para definir o perfil do empreendedor de sucesso nos dias de hoje, como foi a criação dos “valores da Natura”, além de contar o que aprendeu nestes quase 30 anos como sócio da empresa.
Pedro Passos (centro), sócio-fundador da Natura, com o time da Endeavor Brasil.
Como foi o começo da Natura e o que mudou após sua entrada?
“Entrei em 83 na Natura. O Luiz [Seabra] fundou em 69. Os primeiros cinco anos após a fundação era aquela coisa de pagar a conta todos os dias e não sobrar nada. Mesmo depois de dez anos, a receita ainda era muito pequena. O que a moveu no começo foi uma paixão pelo negócio e uma determinação muito grande da parte dos fundadores. A partir da década de 80, com a entrada dos novos sócios, descobrimos um eixo estratégico interessante, com uma expansão regional mais forte em São Paulo, além de criarmos uma tradição em inovação muito forte. Eu deixei tudo e fui para lá porque eu gostava das pessoas e o projeto me interessava muito.”
A maioria das consultoras Natura tem o “jeito Natura”. Como você define esse envolvimento com a venda e com o produto, maior do que uma simples relação comercial?
“Hoje temos, disparado, o menor índice de rotatividade entre as empresas do ramo no mundo. A pessoa, ficando mais tempo com você, começa a transmitir mais do que o produto, começa a transmitir os seus valores, ideais, a confiança que ela tem na empresa e o orgulho de pertencer. Quando você faz um produto você tem que carregar aquele DNA. Todo produto da Natura conta uma história, mesmo que seja apenas para lavar o cabelo. Não é uma historinha inventada pra vender, é uma história que reflete os valores da empresa. Nem todo produto tem tanto valor assim. A preocupação com o bem estar das pessoas e do ambiente é algo muito forte que nasceu na Natura. Confiança também faz parte, adotamos um canal de vendas diretas onde a relação humana é tudo.”
Quais são suas características empreendedoras mais fortes?
“Os valores precisam ser muito fortes. Independente de qualquer coisa, eu sempre tive valores éticos muito presentes na minha família e levei isso para a vida toda. Tem também a tradição do trabalho. Hoje, posso confessar que eu não precisaria trabalhar. Mas eu quero trabalhar, quero construir coisas novas, quero conhecer pessoas novas e quero mais. Eu acho isso pouco comum na sociedade, mas sou muito orientado para a ética do trabalho. Eu diria que eu sou um incômodo na Natura, até! Estou sempre puxando e buscando coisas novas, pois uma empresa, quando faz sucesso, a tendência de se acomodar dentro de seu modelo é muito forte. Esse DNA empreendedor eu carrego comigo desde o dia em que eu saí da multinacional para trabalhar em uma empresa que tinha só 17 pessoas.”
O que você vê num empreendedor de sucesso?
“É muito legal ver a vontade de se fazer presente. Em segundo lugar eu vejo a capacidade de inovação. É legal empreender e ter uma empresa de sucesso, mas eu procuro sempre ver se a pessoa tem uma abordagem inovadora – não necessariamente em seu negócio, e sim em forma de pensar. É preciso buscar aprendizado e inovação sempre. Em terceiro, o jeito que o empreendedor lida com gente. Tem muita gente criativa, com boas ideias, que não tem facilidade em lidar com pessoas.”
O que é empreender para você?
“É estar apaixonado por uma ideia e correr atrás. É preciso ter um brilho nos olhos e uma vontade de fazer, mesmo que seja a segunda, terceira, quarta iniciativa. É normal as coisas não darem certo. Mas o sentimento é quase tudo. Se você gosta de alguma coisa e confia nas pessoas, toca o barco e vai embora.”
Fonte: Endeavor MAG, 02/08/2012.
http://www.endeavor.org.br/endeavor_mag/start-up/aprendendo-a-ser-empreendedor/empreender-e-ter-brilho-nos-olhos
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